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"O rádio morreu?" - Uma breve história da radiodifusão

February 14, 2017

 

         Foi apenas no dia 31 de janeiro desse ano, após o horário de almoço, que os funcionários da MPB FM receberam a notícia que chocou inúmeras pessoas: a emissora iria fechar suas portas. A programação foi interrompida de maneira abrupta no primeiro minuto do dia 1 de fevereiro, cortando na metade a música “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, do Chico Buarque, última canção a ser reproduzida pela emissora.

         O fechamento da rádio carioca causou a lamentação nas redes sociais por parte de muitos músicos, como Lenine, Caetano Veloso, Gilberto Gil, além de milhares de ouvintes. Não foi a primeira vez que uma rádio popular do Rio de Janeiro saiu do ar, a exemplo da Rádio Cidade, que fechou suas portas em agosto do ano passado.

         Diante desses acontecimentos, é cabível fazer uma pergunta que, nesse início de século, ainda levanta diversas opiniões: estaria o rádio chegando ao fim? Será que, após décadas de sucesso comercial, esse meio de comunicação se tornou ultrapassado? Para compreender melhor essa questão, é preciso adentrar um pouco na história desse tão antigo e querido transmissor.

         O inventor oficial do rádio é Nikola Tesla, no final do século XIX, muito embora sua credibilidade como criador da tecnologia seja discutível (inclusive, um dos candidatos ao título de “pai da radiodifusão” é o brasileiro Roberto Landell de Moura).

        Inicialmente, autoridades não deram importância à tecnologia, e o rádio possuía uma função muito diferente da que exerce hoje: ele atuava como um meio de comunicação amador, com transmissão de informações bidirecional; ou seja, as pessoas não eram apenas ouvintes mas também locutoras, mostrando semelhanças com a atual rede da internet.

        Não tardou até que entidades governamentais enxergassem no rádio a possibilidade de um meio de difusão ideológica e propagandística. Rapidamente, várias leis foram criadas para tirar essa tecnologia das mãos do povo e entregá-la ao Governo ou a grandes empresas de capital privado. No Brasil, por exemplo, o rádio desempenhou um papel fundamental na Era Vargas, atuando como meio de propaganda do governante.

        O rádio foi, durante muito tempo, o principal entretenimento de famílias inteiras, que se juntavam à sua volta para ouvir a transmissão de partidas de futebol, notícias, músicas, entre outros. Foi apenas com a popularização da TV, já nas décadas de 60 e 70, que o rádio começou a sair dos holofotes, sobretudo nas classes mais ricas.

        A razão para essa “substituição” é simples. A TV oferecia tudo que o rádio dispunha para seu público, com um diferencial: a imagem visual. O fato das pessoas poderem agora visualizar todo o conteúdo oferecido, ao invés de apenas escutá-lo, foi suficiente para transformar a televisão no principal meio de comunicação de massa, jogando o rádio para escanteio.

        Agora, a função principal desse antigo transmissor passaria a ser o preenchimento das lacunas deixadas pela TV. Ou seja, o rádio começou a ser usado majoritariamente como um som ambiente, em situações nas quais o ouvinte pudesse ouvi-lo enquanto realizasse outras tarefas. O grande público passou a usar o rádio como música de fundo em casa, ou para escutar notícias enquanto se dirigia ao trabalho, funções muito comuns até hoje.

        Com a chegada da internet e plataformas de streaming, como YouTube, Apple Music e Spotify, a função do rádio tornou-se ainda mais restrita e isso se refletiu em seu público, que vem, aparentemente, caindo ao longo dos anos. Isso explica parcialmente o fechamento das Rádio Cidade e MPB FM no dial carioca, levando muitas pessoas a afirmarem que "o rádio está morto”.

        Tal afirmação não é consenso entre os especialistas. Segundo a pesquisa americana “State of the News Media 2016”, o público recorrente do rádio online cresceu nos últimos anos, chegando a dobrar de 2010 (27% dos americanos maiores de 12 anos) para 2015 (54%). De acordo com radialistas, a indústria continua forte no ramo da comunicação, e alguns dos motivos são a facilidade de uso, sua onipresença e o custo gratuito.

        Em suma: o rádio não está morto. Afirmações desse tipo são comuns desde a década de 60, com a popularização da TV, e mesmo assim nosso velho transmissor sobreviveu até hoje. O que o rádio precisa fazer, assim como qualquer tecnologia, é se adequar à era digital. Para isso, é preciso que ele olhe para trás e avalie toda sua história, de modo a melhor compreender como ele deve agir perante o futuro. Fato é que, em 2017, ele ainda mostra ter muita força.

 

 

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