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Entrevista: Facção Caipira

April 25, 2016

 

A banda Facção Caipira nos respondeu uma baita entrevista! Nada como ir em shows e conhecer gente legal né? Ainda mais quando uma delas é o vocalista de uma banda tão boa! hahaha

Saca só!


 

MADM: Qual a opinião da Facção Caipira sobre o cenário musical carioca? Ainda tem espaço para o Rock na grande mídia?

Renan Carriço: Espaço pro rock sempre terá pois demanda para consumir isso sempre teve e sempre vai ter. O cenário carioca eu vejo com muito bons olhos tanto no quesito união entre as bandas quanto na organização e profissionalização de cada. Além é claro de gostar de diversas como Canto Cego,Stereophant,Gragoatá,Overdrive Saravá entre outras.

Jan Santoro: O potencial do cenário musical carioca é muito grande nas suas mais diversas ramificações e nichos. No caso do rock existem muitos produtores ativos na cidade, buscando projetos inovadores e com propostas de integração e intercâmbio cultural com bandas regionais e de outros estados, as vezes até internacionais. As bandas que eu vejo por aqui têm um trabalho incrível e uma dedicação muito profissional como a Ventre, Hover, Duda Brack, Baleia, Fuzzcas, Nove Zero Nove, Drenna, Sound Bullet, Folks, Kapitu, Memora e outras mais.

Temos sim espaço pro rock na grande mídia, a Radio Cidade 102,9 FM tem programas como a Vez do Brasil, Invasão da Cidade, Cidade Delivery que contemplam uma programação de rock, brasileira e autoral, a globo têm o Superstar, mas tudo depende do seu plano de carreira, existem muitos artistas de nicho com um alcance Nacional incrível, as ferramentas estão aí cabe a cada um enxergar o que é bom para sua carreira, traçar metas e começar a caminhar em direção delas.

 

MADM: Qual a importância de participar do Superstar para a banda? Mudou o status quo da Facção?

 

Renan Carriço: Mudou pra uns e pra outros não. Pra gente definitivamente mudou algumas coisas, mas status não. Aprendemos muito o processo de trabalhar em televisão aberta ao vivo, a correria é enorme. A questão de saber lidar com um programa de eliminação, apesar de achar que nunca mais participaríamos de outro programa com esse teor de competitividade, mas foi um aprendizado que valeu muito a pena. No que diz respeito a nosso trabalho como músicos nada mudou, nós continuamos fazendo o que bem entendemos e a única regra é que todos os integrantes tem que estar achando bom pra caralho cada coisa que tocamos. Mas se a pergunta fosse no quesito profissional o que mudou eu diria que aprendemos a lidar bastante com as coisas chatas, digamos assim, mas que são importantes dentro da nossa carreira.

 

Jan Santoro: O Superstar têm um grande potencial de alavancar a carreira de um artista ou minimamente expandir o trabalho em uma instância Nacional. Têm gente maravilhosa de todo canto do Brasil apoiando a gente, comentando, acompanhando o nosso trabalho, curtindo nossos vídeos e postagens isso é muito incrível – o acesso ao nosso trabalho de muitas dessas pessoas podemos creditar ao programa. Dependendo como você interpreta o “status quo” isso é sempre mutável e cabe mais a você entender o seu momento de carreira.

 

MADM: É verdade que o primeiro disco de vocês, "Homem Bom", foi gravado em 5 dias? Como foi todo o processo? 
 

Renan Carriço: A gravação durou apenas 5 dias sim mas a pré produção foi enorme. Só durou esse tempo de gravação porque realmente tínhamos um orçamento muito apertado e esse tempo foi o que acabou sendo disponibilizado dentro dessa realidade. Mas não foi difícil pois estava tudo pronto. Chegamos no estúdio com tudo amarradinho e fizemos ao vivo e depois fomos fazendo takes separados em cima do take de bateria gravado com todos juntos. Foi incrível explorar esse lado de trampar a 220v mas eu não faria dessa forma de novo.

 

Jan Santoro: 5 dias 11 músicas e muita garra, sobre pontos altos, toda a entrega a sinergia musical e o foco no projeto foi incrível. O envolvimento dos nossos amigos, família, técnicos e profissionais envolvidos, todos que puderam contribuir e acompanhar minimamente ou intensamente de alguma forma, fizeram com muito amor isso foi fundamental também Sobre dificuldades, a corrida atrás do tempo, qualquer problema técnico tinha que ser resolvido com uma velocidade e urgência sobrenatural, isso gera estresse, preocupação, falta de sono, coriza, mas conseguimos com muita ajuda e determinação fazer tudo correr da melhor maneira.

 

MADM: Qual é a música favorita da banda e qual a música que o público devolve um feedback  maior nas apresentações ao vivo?
 

Renan Carriço: Difícil escolher uma, seria mais fácil,mas ultimamente as dizer as que eu não gosto muito de tocar pq são poucas que mais curto tocar são "Homem Bom","Dois Pra Lá,Dois Pra Cá" e talvez "Tiro e Queda" mas a que sempre acaba tendo uma resposta maior é sempre Blues Brasileiro. E não que eu não goste de tocá-la só que ela foi a primeira música da leva de músicas do disco então já tocávamos ela há um bom tempo então as vezes só fica repetitivo afinal compomos ela em 2012 mas adoro ela.

 

Jan Santoro: Minha música favorita, que têm me tocado bastante no momento é “Levada”. Acho engraçado o feedback do público em “Trapaceiro” que tem um refrão de pergunta e resposta “Ele sabe o que disse->Ele sabe o que fez” na maioria das vezes do palco a gente escuta “Eles SABEM o que FEZ” a gente se diverte.

 

MADM: Quais os planos para o futuro da banda? Já estão gravando novos materiais? Participar de programas tão conhecidos quanto "Superstar" e "Mais Vinícius, por favor" deve abrir bastante os horizontes...
 

 

Renan Carriço: Combinamos que passaríamos o ano compondo e no final do ano escolheríamos por volta de 20 músicas e dessas 20 ficariam 10 ou 11 pro próximo disco. Acredito que nosso potencial vai ser explorado mais ainda nesse próximo disco pois as músicas que estão surgindo já estão dando uma nova cara pra banda,nada extremo,mas sutíl e pontual.

Quanto a participar de programas,reality shows..eu não vejo com bons olhos participar de competições (reescrever: “Quanto a participar de programas e reality shows não vejo problema, desde que não tragam um caráter competitivo ou julgue o que é bom ou o que é ruim. Não estamos inclinados a topar propostas com esse teor, as vezes até depreciativo com o trabalho do outro). O modelo do "Mais Vinicius Por Favor" me agrada mais e com certeza toparia na hora mas participar de uma competição acho que já deu. Pode ser porque participamos de alguns festivais nesse formato e meio que me encheu o saco pois não vejo música dessa forma apesar de entender a proposta de cada festival que participamos.

Jan Santoro: Além de estarmos trabalhando novas composições temos algumas surpresas com clipes muito especiais pra esse ano. Realmente, as experiências que tivemos com os programas foram muito válidas e recomendo a participação, embora tenha ficado muito decepcionado com a postura da Daniela Mercury na edição retrasada do Superstar com nossos conterrâneos da banda Tereza. Fingir que está dormindo não se faz nem com seu primo mais chato cantando bêbado no karaokê – é um programa que expõe artistas, cultura e apesar de gosto, todo trabalho é legitimo e deve ser respeitado, esse tipo de postura não tem como apoiar ou achar que tá valendo, não é um programa de comédia e desrespeito não é engraçado.

 

6- Como um apreciador da banda, e um viciado em blues, preciso fazer essa pergunta. White Stripes, Alabama Shakes ou Black Keys? Porque?

 

Renan Carriço: Para mim no momento Alabama Shakes mas gosto muito das três bandas.

 

Jan Santoro: Alabama Shakes, “Sound and Colour” arrasa com meu coração.

 

MADM: Se uma banda novata chegasse para vocês e perguntasse: -O que nós não devemos fazer enquanto banda? 

O que vocês responderiam?

 

Renan: Ensaie muito, muito, muito e não se prenda a rótulos os estilos que possam te desanimar enquanto músico depois de um tempo. Todo resto é só vivendo mesmo a vida com uma banda, cada banda tem sua forma de trabalhar e de interagir, não teria como falar que acho certo um jeito, pois convivo com muitas bandas que trabalham de muitas formas diferentes e todas funcionam. Acho que o primordial mesmo é achar as pessoas certas e se entregar de corpo e alma para o projeto, talvez seja o melhor conselho que posso dar.

Não tenha pena de tirar alguém da sua banda se ela estiver atrapalhando, mesmo se for amigo, infelizmente isso acontece no começo e é um dos grandes motivos pra que as bandas fiquem estagnadas,conheço diversas que ou estão assim ou acabaram assim.


Jan Santoro: Não deve ficar parado, tem tantas coisas pra ser fazer, criar intimidade com produção, entender e tocar muito bem o seu instrumento, aprender a criar em conjunto, respeitar as dinâmicas do outro, as diferenças, não botar a carroça na frente dos bois é importante. Fazer em conjunto, fazer com saúde, fazer da melhor forma que você pode é o que eu recomendo em linhas gerais – isso é ser sustentável. Mas o mais importante, que você não deve fazer enquanto banda, ou artista, é ser um cuzão. Não se dissocia artista de postura, de política, não dá pra ser isento. O que dá pra gente ser sempre é uma pessoa melhor todos os dias atento pro que o outro tem a dizer, de coração aberto – a partir daí, tudo fica mais bonito.

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